Boca Louca
01
Boca louca... Boca insana.
Boca que me manda embora,
boca que de volta me chama.
Boca que me requer fidelidade
e em vil desatino, me engana.
Boca que me exalta e aclama,
boca que me insulta e difama,
boca que me aniquila na cama.

Boca que me beija,
boca que me lambe,
boca que me chupa,
boca que me mordisca.
Boca que me escancara
de tamanho lúbrico prazer.
Boca que me escarra. Louca,
eu não consigo te compreender.

Basta! acabou para sempre,
por fim, chegou o seu fim!
Vai-te embora boca louca,
pois perdestes por 3 x 1:
Minha boca, minha cabeça
e meu coração, não querem
mais ter, tampouco te sorver:
Abocarei outra boca para mim.
Antônio Poeta



Cadê O Amor?
03
Onde estás amor?
Por que todos te têm
e eu não?
Serei eu o culpado,
o insensível, o equivocado?

Ou então, um egoísta,
um artista, um sem-compaixão;
aquele, que se auto-engana,
que só ama com o corpo
e nunca com o coração?

Será que morrerei
sem te conhecer,
sem te saborear,
enfim, sem te vivenciar?
Quão... preciso de você!

Vem, amor, te achegue;
anseio-te, me aconchegue.
Não se oculte desse romântico;
quero ouvir o seu cântico,
a me levar e elevar.

Amor...
Queira-me como eu te quero,
permita-me ser feliz,
bem sabes que só tive paixões,
mas foi a ti que eu sempre quis!
Antônio Poeta



Coração De Poeta
04
Sangra coração de poeta,
recrudescido de dor,
entorpecido de amor,
empobrecido de razão,
enobrecido de emoção...
Esvaia-te até a última gota,
frágil e ébrio de paixão.

Como podes ser assim,
tão tolo, tão imbecil...?
O que pensas coração infantil?
Não consegues ir mais além?
Irás para sempre amargar
o saborear dessa traição?

Amadureça coração,
abstenha-te desse amor;
ele não fez por te merecer.
Aliás, isto nem foi amor,
pois só você foi quem amou
e agora também é só tu,
quem vai padecer?

Atenção, coração:
Intimo-te a esquecer.
Amadureça-te, infante,
e nunca mais ouse de novo
nessa loucura me envolver;
ou então pare logo de pulsar
e me impute o falecer!
Antônio Poeta



Coração Covarde
05
Foram tantas as mulheres
que entraram em minha vida!
Todas, sem exceção, foram
perfeitas e muito queridas.

Como explicar, então,
o desencanto ainda latente
nesse coração impotente
em decidir por uma paixão?

Todas me deram
muito além do que eu pedi
ou fiz por merecer. Sabe coração,
o recalcitrante é mesmo você.

Deixa de ser bobalhão, vacilão,
pára de fingir ser durão.
Avance, se lance da retaguarda,
delicie-se com a vanguarda.

Para ser feliz você tem que ousar;
cesse de escusas para a se isentar.
Afinal, que coração de poeta é você
que não sabe com intensidade amar?

Assim está bom, não é verdade?
Só se aventurando, se apaixonando,
sem os inconvenientes e os riscos
de amar com plenitude e seriedade.

Encoraje-se, coração covarde,
permita à chama, a chama
que arde, te persuadir
e invadir de verdade.

Experimenta do remédio
de que tanto falas e receitas,
exponha-se a novas facetas,
divorcie-se do tédio.

Até quando ainda
irás vadiar?
Morrerás assim,
vagabundeando e a vagar?
Antônio Poeta



Sou Único!
06
Que me falte o dinheiro,
o alimento, os amigos, a saúde
e até o amor de minha amada.
Só não pode me faltar é a inspiração,
a força que me impulsiona,
a filosofia e a poesia,
a aquisição do saber,
a arte de descrever
e de formar opinião,
pois sem ela, não conseguiria viver,
seria eu apenas mais um impostor,
a hipocrisia, se render e perverter.
Não espero muito dessa existência;
sei que esse nosso mundo é um globo
de muito sofrer e de pouco saber.
De muito coleguismo
e de poucas amizades.
De muita paixão,
e de pouco amor.
Enfim, é um mundo
de muita utopia
e de quase nenhum ardor.
E eu aqui, perdido, em meio
a tantos tormentos, conceitos,
quase sem vontade própria,
sendo “tocado” de acordo
com a mídia e com o poder,
um tanto que alienado
e guiado por preceitos,
afim, de ser aceito, como
se eu não fosse único
e criado por Deus.
Como se eu...
Não fosse eu!
Antônio Poeta



Minhas Amadas
“Pestinhas”
07
Quanto conflito!
Que loucura!
É elas brigando
e eu contornando,
quase enlouquecendo,
quase que desanimando,
por não entender o porquê
de elas insistirem em trocar
a ternura pela vil amargura.
Que ciumeira
mais sem sentido,
que malfazeja competição,
de irmão contra irmão
corroendo a relação,
minando-a e a tornando fria,
estabelecendo o dissídio
coroando a antipatia!
Quase chegam às tapas;
às vezes me levam
a lhes dar uns tapas.
Isso tudo me entristece...
profundamente me aborrece.
Passado não mais de uma hora,
as duas voltam às falas,
de todo o rancor, voltam atrás;
aí, esse pai “babaca”,
de novo se anima
por ver seus “anjinhos”
novamente em paz.
Porém, sabe ele,
que é só uma trégua,
uma meia alegria
e que amanhã...
Vai ter mais!
Antônio Poeta



Poetar
08
Poetar é retratar
o âmago do nosso interior,
é adentrar e passear
pelo subterrâneo de nossa alma.
É versar sem evasiva ou fingimento,
é exteriorizar e expor
nossa calma ou tormento...
o íntimo de nosso sentimento,
enfim, o nosso momento.

De todas as artes,
é a poesia a mais verdadeira,
honesta e pessoal.
O poeta conta a sua história,
estando ele bem ou estando mal;
não se ateia a ornamentação;
seu compromisso único
é com o cristalino e o real,
com o atual de sua emoção.

Quem quiser que nos chame:
bobos, desperdiçados ou infantis.
Ao oposto, não somos passionais,
somos apenas mais inocentes
e diferentes dos demais,
pois em relação ao nosso eu,
não conseguimos ser pueris.
Felizmente ou infelizmente...
seremos assim, eternamente!
Antônio Poeta



Eu, Réu Confesso!
09
Para mim, explicitamente,
seria muito gratificante
e oportuno formar convicção
de que, após toda a impiedade
que cometi conscientemente,
bastasse-me agora adentrar
em um templo religioso,
erguer minhas mãos ao alto
e bradar ao Senhor
o meu arrependimento,
e isto, me absolvesse de todas
as barbaridades que produzi
sendo perdoado nesse momento,
sem sequer me esforçar,
mesmo que me mantendo ocioso.
Mas, supondo que fosse
realmente assim,
como ficariam aqueles que
morrem antes de se arrependerem,
enfim, os que já tiveram fim?
Eu, por exemplo, só comecei
a virar gente aos 38 anos;
só aí me iniciei a vislumbrar o bem.
Alguns levam mais tempo ainda.
Como seria a sorte destes
que não tiveram a sorte, ou melhor,
o tempo que os outros têm?
Inferno e penas eternas?
Será que foi para isso
que o Pai nos criou?
Perder os seus filhos
queridos para o diabo...
Que besteira. Que terror!
O meu arrependimento
é o mais sincero e convicto,
mas sei que isto é pouco
para eu poder compensar
tanta dor que semeei; e o máximo
que julgo poder ao Criador suplicar
é alguma indulgência, forças
e a santa oportunidade,
de todo o mal feito,
com o bem reparar,
aos que ofendi e feri com tantas
e variadas maldades, que cometi
por orgulho, egoísmo e vaidade,
com eles tenho que me redimir...
Servir às minhas vítimas, já na atual
e em próximas encarnações,
com o meu sacrifício, trabalho, amor,
em suma, reverter todo o desserviço
que sempre causei ao bem
com abnegado empenho e labor.
Resgatar sim, com humildade,
aos meus semelhantes e próximos,
tanta insensatez, tanto horror
que semeei por absoluta
falta de Deus em minhas atitudes
... em meu interior. Entre dádivas
recebidas e dívidas contraídas,
insisto, prossigo observando,
aprendendo e pesquisando,
pensando e repensando,
agindo e sentindo...
Resumindo: Evoluindo!
Antônio Poeta



Sou Um Poeta
E Não Uma Árvore
10
Eu vi e senti, na carne e no espírito, o dissabor de ser traído, por alguém que eu julgava, ter-me verdadeiro amor. Que loucura... Que dor! Foi duro, muito sofrível, constatar que ela enganava-me e tripudiava sobre tantas juras, cumplicidade e ternura. Em suma, sobre tanto sentimento. Naquele momento de fúria onde a "passionalidade" imperava, quase fui até eles e os agredi, vazando ali todo o meu tormento... Mas, felizmente me controlei. Fiz-me ver aos dois e assim, definitiva e contumazmente, aos infiéis eu desmascarei sem me envolver ou me contaminar com toda aquela sujeira. A vida dessa mulher, daí em diante, foi tentar voltar para mim. De tudo ela fez, só faltou morrer... mas, não mais adiantava, pois meu coração, não por orgulho, e sim, por autopreservação, já havia decretado o fim. Nada justifica a infidelidade, a deslealdade da traição, enfim, a impiedade de expor o outro, a tão infame situação. Ela ainda afirma a todos que me ama e que espera que um dia possamos reatar. Nunca, nunquinha! Estou fora! Essa coisa de galho é para árvore, já a minha coisa... É poetar!
Antônio Poeta


Conspiração
De Órgãos
11
Coração, preciso falar com você.
Pois não, amigo Cérebro,
estou a lhe ouvir.
Sabe, amigo Coração,
acho que precisamos nos unir
a fim de controlarmos
esse nosso irmão indecente
e inconseqüente, do Pinto,
esse danado que a todas,
indiscriminadamente,
quer “comer”.
É verdade, mano Cérebro,
esse menino, não tem jeito.
Sempre insaciável,
insensível e sem razão...
Ele não pensa, não sente,
só quer se fartar.
Às vezes me exige tanto,
que até temo enfartar.
Verdade Coração,
eu percebo o seu sufoco,
para tanto sangue bombear,
a fim de atender aquele louco,
que imagina que a vida
é um eterno e constante gozar.
Outra coisa, Coração,
precisamos agir
de maneira prudente,
se não o Pinto tarado,
do jeito que é comilão,
e com toda sua persuasão...
Acaba é por “papar” a gente!
Cruzes mano Cérebro...
Está certo que o cara
é um tarado libidinoso,
mas, daí a incestuoso,
prefiro crer que não!
Antônio Poeta



Vende-se:
12
Atenção:
Vende-se um coração.
Esclareço tratar-se de
um coração primário
em amor de relação.
Muito combalido e ferido,
ainda vivo, porém submisso,
pelo desmonte de um sonho...
Por uma grande desilusão.
Era eu um filósofo concatenado
e senhor absoluto desse coração.
Aí conheci uma linda musa,
alguém que mentia
o tempo todo para mim.
Encantado, sem guarida,
deixei-me inebriar pela paixão.
E o filósofo sério
e centrado na razão,
viu-se vencido pelo poeta inepto
e encantado pela magia da emoção.
O referido coração é o do poeta,
mas quem o está vendendo é o filósofo,
com todas as garantias e opções.
Serão negociadas
somente 49% das ações,
pois o controle acionário
ficará com o filósofo,
cabendo ao poeta apenas...
Amadurecer e tentar
aprender e apreender,
com essas novas lições.
Só espero que com isso,
eu não volte a ser amargo,
insólito e sem poesia.
Não estou mudando
por mal ou covardia,
só por pura prevenção.
Já pensaram se surge novamente
em minha vida, outra falsa musa
como aquela... E de novo
tripudia e bagunça
com a minha harmonia?
Aquiete-se, coração velho,
mas que se sente um rapaz.
Você agora está sob vigília constante
em decorrência de sua própria
incompetência e inabilidade
ao tratar de suas coisas pessoais.
Em verdade, você é
um detento sob condicional,
limitado a usufruir apenas de parte
de sua antiga capacidade total.
Desta feita, que me perdoe o poeta:
Doravante só irei vazar a razão.
Vigiar-me-ei para que nessa
minha nova empreitada
não seja eu a imputar
o sofrer á alguém,
que diferente da outra,
mereça e queira ser tratada
com amor, respeito e paixão...
por fim, que queira
doar-se em comunhão.
Antônio Poeta



“Ser Ou Não Ser...
Eis A Questão”
13
Sempre fui tido como um louco,
alguém que pensa e age diferente.
Desde pequenino sempre fora assim.
Será que a camisa de força,
os psicotrópicos e o hospício
encerrarão o meu fim?
Empenho-me em provar
a mim e ao mundo,
que tenho importância e sou valoroso,
mas todos os meus esforços esvaem-se
em quase nada. Aí, sinto-me um louco,
aniquilado e ocioso a cavar um buraco
que nunca chega ao "fundo".
E se realmente eu for uma fraude,
um engodo consciencial?
Como conseguirei explicar-me
e acalantar o meu emocional?
Se assim suceder,
teria eu outra alternativa,
se não me sepultar em vida
como um irracional?
Quem sabe um dia, no futuro,
mesmo que “in memoriun”,
alguém descubra e dote valor
ao meu trabalho, a tão exaustivo labor.
Aí, constatarão, que tudo o que produzi
foi ordenado pela emoção e o amor.
Talvez nem mesmo poetar ou filosofar
eu saiba, seja eu só mais um pretensioso,
um pseudo-intelectual de botequim,
aquele tipo metido e orgulhoso
que opina e escreve sobre tudo...
Será que foi isso que
construí para mim?
Ilhado em meus projetos,
alicerçado em minha criação
exponho a minha arte
às tapas e aos beijos.
Aceito a indiferença, o anonimato
e até o fracasso. Mas minha gente...
Vir a surtar... Nãooo!
Antônio Poeta



Espécie
Em Extinção
14
Seriam os poetas
apenas
uns bobalhões;
uns "chorões"?
Ou simplesmente
ultra-sensíveis
que não se põem
em estado de prevenção
ou mesmo de alerta,
quando uma paixão
em seu íntimo desperta?
Para o poeta,
melhor amar
mesmo que não
seja amado.
Pior para ele
é ser amado
e não amar.
Óbvio que os poetas
não apreciam sofrer,
já fazer sofrer...
Nem pensar!
Não obrigatoriamente,
o poeta está apaixonado
por uma determinada mulher.
Geralmente sua paixão
é por todas, sem distinção,
pois o que o poeta
ama de verdade
é o amor à emoção
e nessa modalidade
é ele um atleta,
um verdadeiro campeão.
Antônio Poeta



Tributo
A Vínicius
15
Saiba, excelência, meu poetinha querido, tenho verdadeira adoração por ti.
Assim, que eu transpor esta dimensão, te procurarei e te celebrarei
com toda a minha tietagem e emoção. Dar-te-ei um abraço
e te convidarei para uma saídeira. E se os Mestres daí
me concederem, quem sabe, algumas horas,
serei aí contigo boêmio como nunca o fui
dantes. Experimentarei e gozarei
dos bens que te compraziam,
o imitarei sem quaisquer
constrangimentos
meu adorável
gênio.
Sentir-me-ei um gigante!
Faremos aí em parceria,
o que sempre fizemos
em separado
por aqui:
Prosaremos bonito
e versejaremos ao infinito
a beleza da mulher, sua sensualidade,
graça e real alegria. Iremos cantar e azarar
todas as “anjas”; declamaremos a elas os nossos
galanteios, promessas e poemas; namoraremos todas,
mas ao final, cada qual ficará com apenas uma e a transformará
em sua musa, em sua pequena. Talvez consigamos ainda permissão
para descermos e passearmos com elas pela velha e poética... Ipanema!
Antônio Poeta



Meu Adolescer
16
Viajando por um mar
ainda desconhecido
n’aqueles anos idos,
vacilante, indeciso,
de como e aonde chegar.
Era um adolescente em conflito,
que aos gritos, clamava por acertar,
porém, já aprendia que não ganharia
absolutamente nada com
o “espernear por espernear”,
pois o símbolo, não era a realidade,
portanto, não precisava necessariamente
me tornar um aborrecente,
se o que eu vislumbrava era me encontrar.
Não só pedia como rogava
e até muito ansiava ajuda
para me esclarecer, me desvendar.
Não me melindrava ao confessar:
Que estava tudo muito confuso,
que o caminho era escuro...
Que havia muito a arquitetar.
Entre tantas máximas
a mim passadas, uma em especial,
minha doce mãe sempre corroborou:
"Meu filho, o respeito é tudo,
nunca desdenhe disso,
pois, portando-se assim,
viverás em esplendor"
... Heureca!
Esse foi o veio,
a ponta do novelo,
e parti dali:
Respeitando,
imputando o respeito
e por ele lutando.
Pronto. É esse o modelo
que em minha caminhada
projetei e tentei seguir!
Antônio Poeta



Sou Mesmo
Um Poeta?
17
Não bebo,
não gosto da noite,
não tive sequer
um vedadeiro amor.
Em mim,
a poesia germinou
por demais tardia,
nem sei se sou
realmente um poeta
ou só uma fantasia.
O primeiro poema,
surgiu, já aos meus
quarenta e oito anos
e, foi só uma brincadeira,
um ensaio de minha emoção
sem nenhuma outra pretensão.
Aí, o feitiço
virou contra o feiticeiro
e a poesia me encantou.
Se o “todo”
de algumas delas
eu não vivi,
isso não me torna
um vulgar impostor
ou um "escritor enganador",
pois a todas compus
fielmente, em consenso
com o meu interior:
Como eu sentiria,
como eu agiria...
Enfim, elas são
o que eu sou!
Antônio Poeta



Abaixo O
Patrulhamento!
18
Por ser uma individualidade,
sou também senhor de mim;
que maravilha seria
se todos pensassem assim!
Se cada qual seguisse seu trilho,
sua própria e íntima intuição,
sem a descabida preocupação
com os conceitos alheios,
sendo seu próprio pai e filho,
seu serviçal e patrão.
Os ditames de meus limites
seriam proclamados
pelo meu eu,
sem a intervenção
da maledicência
dos hipócritas
e caducos neo-feudais,
ditadores de conceitos
e burlescos modismos,
vitimados pelo idiotismo
do “fazer acontecer”.
Seria eu por o ser
sem que ninguém
tivesse nada com isso,
por simplesmente,
e realmente, não ter.
Antônio Poeta



Idiotia Mental
19
Deixar-se entediar
é provar
não se entender,
é ainda,
o primeiro proceder,
para em seguida
se enlouquecer.
Será que os loucos
são realmente loucos,
ou apenas se abstêm
ou se negam a interagir
e passivamente conviver
com a insanidade
de nós outros,
os ditos "normais"?
Enfim,
de nossos temores,
de nossas ansiedades
e loucas e descabidas
necessidades materiais?
Quem me garante
que o louco,
bem lá intimamente,
não ri de mim?
Que sua alma
em euforia
não gargalhe hilariante
ao ver as loucuras
que eu faço,
ou as aflições
por que passo?
Em verdade,
os médicos não são
para os sãos,
e, sim, são
para os que não
são sãos.
E quem são os de nós
que são sãos?
Sou eu um normal insano
ou um anormal são?
Não sei... Eis a questão!
Antônio Poeta



Ação E Reação
20
Sou incapaz do mal agir
contra alguém,
mas nem sempre
consigo também,
reagir bem.
Por vezes,
no clímax do conflito,
com a consciência em agito
numa forte discussão,
à má reação
eclode a má ação.
Hei-lo, o maior
de todos os dilemas
dessa nossa
involutiva humanidade,
que seria
realçar em atitudes
a racionalidade
e a emotividade.
Aquele semelhante
que essa proeza alcançar
tende a mais rápido
evoluir...
Como os frutos
que viram árvores;
como os loucos
ao se curarem;
como os poetas
ao versejarem!
Antônio Poeta



Os Dois
Meninos
21
Há dois lugares
que sempre vou
para me energizar
quando muito triste,
ou seja, quando atinjo
o pincaro do meu limiar.

Na Ipanema de Vinícius,
fixo-me, em frente ao bar
que quase era a sua morada.
As pessoas devem me achar louco,
pois fico lá parado, sorrindo e pensando,
como estará aquela alma danada e encantada.

Na Vila Isabel de Noel, fico na sua praça,
defronte a seu monumento de bronze.
E ele ali, sentado em uma cadeira
com a caixa de fósforos na mão;
na mesa um copo, uma garrafa,
no peito um poético coração!

Engraçado... Meus dois poetinhas lindos,
ambos gostavam de “entornar”,
estavam sempre de pilequinho
e pela boêmia a anarquizar.
A noite era para eles,
o seu real habitar.

Nossa! O quanto eu sou diferente
desses meus dois queridíssimos,
em comportamento; talento...
Serei ao menos um poeta
ou só mais um pateta
a forçar o rimar?

Em comum, apenas,
com esses dois gigantes,
tenho o gosto pelas mulheres
e a mania de contar em versos,
os meus sentires mais diversos...
O todo desse meu pouco universo.
Antônio Poeta



Se Eu Pudesse...
22

Se eu pudesse
conversar com Deus,
se Ele me concedesse
ao menos um pedido,
decerto lhe clamaria,
retroceder no tempo
uns trinta anos, porém,
com a atual sabedoria.
Quantos equívocos,
quanto mal eu
não mais cometeria;
quantas deformidades
eu corrigiria...
Quantas experiências
perversas eu saltaria...
Há! Se os jovens
ouvissem os pais
e àqueles mais velhos
que lhe querem bem:
Todos repassando
suas experiências,
seus alertas, enfim,
sinalizando,
exemplando
e externando
suas mais intimas
e múltiplas
descobertas.
Cada qual
do seu jeitinho,
com sua veemência
e clamor, espelhando
as suas vivências
com dadivoso
zelo e amor...
E nós, inertes
sábios do nada,
prepotentes
modernos-incoerentes
a debochar-lhes
ou a lhes ignorar,
tanta gratuita
e generosa sapiência.
... Sim, eu voltaria,
eu ouviria, eu atenderia
e, muito eu progrediria!
Antônio Poeta



Em Leilão
23
Dou-lhe uma,
dou-lhe duas...
dou-lhe três.
Quem se habilita de vocês?
O coração do poeta está livre
e de novo ele voa lépido e serelepe,
meio usado, mas ainda moleque
retorna ele a sua antiga sina;
de encontrar e encantar
uma linda e terna
balzáquia-mulher-menina.
Afinal, esse ultimo amor,
também não conseguiu
interpretá-lo, lhe entender.
Na verdade foi só mais uma
incapaz de como um todo o sorver.
Eu me acho tão fácil de ser absorvido,
porque será que estou solto de novo
a vagar e vagabundear?
Há! Poeta palhaço,
afinal, és um infante sonhador
ou um pernicioso enganador?
Já passastes dos 50 anos,
acreditas de fato
nesse negócio de amor?
Sonhador talvez, mal não,
pois sou pudica emoção.
Quanto a crer no amor,
creio sim, e vou mais além:
Estou absolutamente certo
que logo surgirá alguém
e essa minha “louca busca”
enfim, irá se findar.
Não estabelecerei a ela,
nenhum preceito ou modelo
físico ou conviccional,
tão somente, que
me ame de verdade
e que de verdade,
queira ser amada
e endeusada.
Que goste de sexo,
3, 4, ou 5 vezes por dia,
que não seja preconceituosa,
que me traga alegria
e nunca a agonia
típica das pessoas
amargas e mal resolvidas,
acovardadas da vida
e de alma preguiçosa.
Antônio Poeta



Monólogo Do Cérebro
Com O Coração Do Poeta
24
Sugiro a você coração tolo,
repleto de emoção
e completo de ilusão,
que pare de sonhar.
Que não só sinta,
mas que também
aprenda a pensar...
Perdão, amigo coração,
te conhecendo tão
intimamente,
sei muito bem
que essa prescrição,
para você, não
vai funcionar.
És um sonhador,
um aventureiro,
um hospedeiro
do “sempre amar”...
Como te convencer
da urgência
e da prudência
em nos proteger?
Por vezes pressinto
que achas sozinho
esse nosso
corpo habitar,
pois, pareces fugir
de com nós outros
se relacionar.
Até quando
te portarás
como um infante
e alucinante errante
sempre a nos arriscar?
Confesso-te, por vezes
até que te admiro
por tanta ousadia,
mas deveras, devias,
também te preocupar
com o nosso conjunto;
com a nossa harmonia.
Hei! Estou falando
com você! Não se faça
de despercebido,
larga de ser tão
bagunceiro
e não desdenhe
de meus conselhos
e pare de rir de mim!
Esse teu jeito moleque
e sempre matreiro
pode até precipitar
o nosso fim...
Com você não dá
para falar sério...
Melhor eu parar,
pois já estou também
quase a gargalhar!
Está certo coração
vou cuidar e tratar
de outras áreas,
deixo contigo a paixão.
Mas, “pega leve”, meu bom
e querido companheiro,
pisa um pouco mais forte
no freio; lembra-te
que não estás só;
pense um pouco
aqui, no seu velho
parceiro e irmão,
pois, como sempre,
depois serei eu
a administrar
toda a tua confusão.
Amadureça sujeito,
reforma esse seu jeito
de ver a vida
e de a sorver,
sempre por inteiro.
Não é muito o que
estou a te sugerir,
melhor, a te pedir.
Já pensaste
se por litígio
nós venhamos a nos
desarmonizarmos
e não mais nos
conciliarmos...
Que loucura vai ser?
O que será
desse nosso corpo
sem governo,
por aí a ermo,
sem razão e emoção?
Antônio Poeta



Emocionando-me
25
Às vezes penso que
meu poetar infertilizou.
Que não tenho mais tema,
que de tudo eu já falei.
E que assim, não lograrei
compor sequer um único poema.
Mas aí, é só parar; sei lá...
Intimamente pedir; obsecrar,
que os enredos voltam a surgir
e os versículos a rimar
e logo nasce um novo
poema encantado
e pronto para encantar.
Pronto, agora o pranto
se apossa de mim,
choro como uma criança
que perdida e aturdida,
clama pela mãe.
De onde vem
toda essa emoção
que chega a combalir
meu pobre corpo físico
libando minha energia,
desritimando meu coração?
Amenizada toda essa loucura,
necessito de ingerir água,
de me alimentar, de caminhar...
Como escrevo sempre
pela madrugada,
fico andando pela casa,
tal qual fera enjaulada,
indefesa e acuada
por não entender a razão
de sua cativa prisão!
Antônio Poeta



Minhas Filhas
26
Minhas filhas,
encantadas e doces meninas,
eternos dengos de meu ser...
O destino nos determinou,
nos imputou como sina,
que nós, sós, devíamos seguir
e decidimos que contra isso
não iríamos reagir, nos insurgir.
Com alguns litígios e dissídios,
muito amor e cumplicidade,
respeito e lealdade,
nós avançamos até aqui.
Parabéns a vocês, como filhas!
Parabéns a mim, como pai!
Muitos foram os que apostaram
que a gente não conseguiria.
Ninguém, nem mesmo
os parentes nos apoiaram...
Todos nos deserdaram,
se apartaram
de nossa companhia.
Mas nós três somos
“super-supimpas”
e a tudo superamos
com o nosso ardor, amor
e extremada valentia.
Vocês duas
são guerreiras
fortes e briosas,
ternas e jubilosas,
minhas eternas parceiras.
Hoje, olhando para trás,
constato o nosso heroísmo,
desprendimento
e companheirismo.
Quantas histórias produzimos...
Tantas vitórias conseguimos!
Lembro-me que muitas vezes
vocês foram minhas mães
e sempre leoninas, Herculinas
em uma batalha que não
escolhemos lutar, mas que,
com as bênçãos de Deus,
enfrentamos e vencemos.
Parabéns de novo gurias,
parabéns para sempre,
minhas delícias de filhas!
Antônio Poeta



O Coração
É Indolor?
27

"O coração dói"?
Dizem que não,
só mesmo no enfarto.
Mas eu poeta
afirmo que sim,
e vou mais além...
Digo que dói
mais que a
dor do parto.
Dói e dilacera-se
ao perder o seu amor,
fica pequeno e apertado,
enclausurado na dor.
"Mas, quem predomina
é a consciência ou o coração"?
A consciência, é a morada do todo,
o coração, um órgão propulsor.
“Então é a consciência”?
Sim, em quase tudo,
só não em matéria de amor.
Nesse campo da emoção,
a competência é do coração.
“Não entendi nada, poeta...
Você está por demais filosofando”!
Não entendeu, meu irmão?
Também pudera, seria
demasiada pretensão
quererdes entender,
sem serdes poeta,
das coisas do coração.
Antônio Poeta



De Uma Forma
Ou De Outra...
28

Proseando ou poetando
conto o meu íntimo,
tudo o que está em mim,
nunca minto ou minimizo,
até posso me equivocar...
Sou um contador de minhas histórias,
e o serei, até o meu fim chegar.

Já fui chamado de sonhador,
rotulado por débil mental,
mas não ligo, “cago e ando”
para qualquer denegridor,
pois afinal, no juízo final,
será o Nosso Pai a decretar
quem de fato é o “anormal”.

Não faço mal
com os meus escritos,
ao contrário, tento esclarecer,
expondo todo o meu conteúdo,
o produto do meu sentir e saber,
decodificando minha emoção
sigo firme formando opinião.

Não espero bajulo ou afagos,
apenas um pouco de compreensão,
não aceito mau trato ou pedrada
dos desprovidos do aprofundar,
que só exploram a superfície
e parecendo só possuírem cabeça,
atropelam o transcendente coração.
Antônio Poeta



Seria Eu?
29
Seria eu, o anti-intelectual?
Seria eu, o anti-filósofo?
Seria eu, o anti-poeta?
Seria eu, um logro consciencial?

Seria eu, um espírito atentado?
Seria eu, um amante errante?
Seria eu, um escritor enganador?
Seria eu um ser desperdiçado?

Seria eu, um tolo preconceituoso?
Seria eu, uma alma de canastrão?
Seria eu, um Meleto formador de opinião?
Seria eu, um Aristófones tonto e jocoso?

Seria eu, um caricato em apogeu?
Seria eu, aqui desse planeta?
Seria eu, um infiel da criação?
Seria eu... Foda-se, o que seria eu!
Antônio Poeta



Triste Domingo
30
Domingo é dia de gozo.
Até Deus folgou no sétimo dia.
Todo domingo devia ser harmonioso,
hilário, calmo e repleno de alegria.

Houve um domingo que marcou minha história,
que me fez perder o chão... Perder o tino.
Foi a minha tarde mais triste e inglória,
foi o meu domingo mais sórdido e cretino.

Naquele triste domingo de agosto,
senti o pânico; sorvi o fel do desgosto.
Me vi o homem mais frágil e impotente,
o de alma mais doida, doída e doente.

Domingo, devia ser folga até para a morte,
não lhe sendo permitido intervir em nossa sorte,
quem sabe, Deus a colocasse para dormir
e aos domingos, ela ficasse proibida de agir.
Antônio Poeta



Vovô & Vovó, Socorro!
31
Vôe vovó, enviem alguém a me explicar,
o que eu sou... O que eu valho.
Eu não consigo me ler, me desvendar.
Me acudam, me mostrem um atalho,
pois só, eu não alcanço me interpretar,
aí temo, ser um embuste, um falho,
alguém que vive a enganar; se enganar.
Vô e vó, eu quero chupeta, quero chocalho,
quero de novo o ventre da Tê prá me gestar:
Preciso do reconhecimento do meu trabalho,
para de pronto, não vir a me dispirocar.
Antônio Poeta



Seria Bom...
32
Seria bom:
Que a injustiça não me abatesse;
que o desrespeito não me adoecesse.
Que a poesia me viesse desde cedo;
que minha filosofia não seja só enredo.

Seria bom:
Que eu tivesse um ótimo emprego;
que eu tivesse uma grande paixão.
Que o meu todo achasse sosego;
que não pensasse com o coração.

Seria bom:
Que eu não chorasse todo dia;
que eu conseguisse me aceitar.
Que minha vida não fosse vazia;
que nunca nulifique meu poetar.

Seria bom:
Que eu tivesse sido um bom marido;
que eu tivesse tido grandes amizades.
Que eu não sofresse por puerilidades;
... Que eu nem mesmo tivesse nascido!
Antônio Poeta



Piração
33
Ser sozinho é bom,
sentir solidão é ruim.
Pareço uma criança
sem saber com qual
dos brinquedos brincar.
Ou um idoso recalcitrante
entre dormir e ranzinzar.
Meu lado direito diz:
Fica só sua besta!
Meu lado esquerdo diz:
Fica não poetão!
Como resolver este litígio?
Como resolver esta piração?
Antônio Poeta



Amigos???
34
Em verdade, eu não tenho amigos,
é uma pena, mas não os tenho.
Não mais que uns colegas; conhecidos,
gente que conversa, opina e gargalha comigo.
Talvez por mim, pois não muito me empenho.
Sempre foi assim, nesses meus anos vividos.

Não angario o sentimento de amizade,
casado com inverdades, divorciado de emoção.
Amigos, devem ter pacto de irmão, de doação,
presentear com sua presença, amigar com o coração.
Amizade de boca, de esquina e de mesa de botequim
... Isso é apenas fanfarra, não é amizade pra mim.

Tomara que quando eu vir a desencarnar,
eu encontre, reencontre pelo lado de lá,
espíritos que me amam e que me entendam,
que me aceitem e não se ofendam, com esse
meu jeito esquisito de ser e de querer.
Quiçá, seja lá mais fácil a amizade empreender.
Antônio Poeta



Opinião
35
Quase todos os humanos
alucinam-se em buscar
a utopia de encontrar
sua alma gêmea...
O perfeito par!
Sinceramente, eu
não procedo assim.
Simplesmente,
objetivo conquistar
alguém, que como eu,
persiga o acertar,
o harmonizar,
a cumplicidade,
a verdade,
o crescer juntos
e, se preciso for
... O reiniciar!
Não sou mais
nenhum menino,
não tenho todo
o tempo do mundo
para ficar libando
e oscilando, entre
o acertar e o errar.
Não tenho mais tempo,
sequer, para tropeçar.
Meu escasso tempo,
só me permite avançar!
Se não encontrar esse alguém,
prosseguirei sozinho, mas não
me permitirei retroceder...
Abrir mão dos meus sentimentos,
do saudável saber que labutei
tanto e sempre sozinho,
com todo empenho,
para hoje o deter.
Posso até dividi-lo
ou até o ensinar,
mas a outra pessoa
deve, de fato,
também o querer
... O almejar!
Antônio Poeta



O Dilema
36
Quantas “anjas”
passaram por mim.
Quiseram-me, me amaram.
E por todas eu passei também,
desdenhando até o fim.
Fugindo... De mim???
Agora dei um basta,
esbofeteei minha covardia,
exorcizei meus fantasmas,
despertei minha ousadia.
Quero amar com intensidade,
resgatar minha sanidade,
ser gente, ter um par...
Recomeçar e me encantar.
Não admito mais
sobre o amor divagar.
Basta de teoria!
Quero me oportunizar
vivê-lo; experimentar.
Já não me compraz
somente ser amado,
minha alma arredia,
agora, clama por amar.
Sempre foi assim...
Um duelo incessante,
entre os meus dois
co-habitantes:
O poeta,
a se apaixonar,
e o filósofo,
a concatenar.
E eu, como um mutuante,
errante e hesitante,
sem saber por qual optar.
Que me perdoe o filósofo,
estou impetrando nova ação,
venceu o pueril poeta...
Bravo!
Vou vazar minha emoção!!!
Antônio Poeta



Amo Te Amar
Doce Dama Da Noite
37
Amo esse teu corpo livre
e delineado, esse teu jeito espontâneo,
e teus trejeitos manhosos repletos de graça,
suavidade e nada ensaiados.
Amo esse teu sorriso matreiro
e francamente debochado,
esse teu olhar felino de fêmea,
pronta a devorar teu amado.
Amo tua destreza e sagacidade
ao me fazer explodir de prazer.
Te amo por me querer e me fazer
um macho tão afoito e extasiado.
Quero estar contigo e em nada
te mudar, te aceito e te respeito,
confesso... Até te invejo por não ser capaz,
como tu, de peitar essa cambada, titulada
por sociedade, sociedade do nada,
falida, prepotente e enfartada,
por não saber ou querer relaxar.
És o meu apêndice, meu pendulo cônscio-social,
o equilíbrio que busco e o veio para eu sobreviver
e de pronto não enlouquecer,
ao convívio com tantos conceitos
estabelecidos como preceitos
do que vem a ser ou não ser,
do certo, do ideal, do normal...
Do convulso convencional.
Putos, são todos aqueles que
te chamam puta, pois puta é a
sua sina, que é prostituta.
Hipócritas e cínicos, que fingem
não te entender, mas ao descaro
e em secreto, pagam para te ter.
Cobiçam eles, intimamente, tua coragem
e liberdade por não desatarem suas amarras,
se tornando livres passarinhos a voar o viver.
Dama, tudo em você é belo, intenso e salutar:
Sua história, seu sexo, sua alma: Amo te amar!
Antônio Poeta



Assumo-lhe Da vida
Para Ser A Minha Vida
38
Seu sorriso, a sua pele, o seu cabelo, os seus olhos,
esse seu jeito elegante, provocante e tão excitante.
Essas suas curvas arredondadas e tão insinuantes.
Essa sua postura esguia e até um tanto que pedante,
somados a essa sua alma de tanta doçura e encanto,
enfim, por você ser tão gente, suplico-lhe, que atenda
esse meu pedido: Doravante, não quero mais ser o seu
cliente, só aceito ser o seu companheiro... Seu marido.
Contigo vou me casar e lhe assumir por inteiro. Mostrar
a esta míope e abatida sociedade, que a amo de verdade
e que mais a diante terão que a respeitar, pois não serás
mais da “vida”, e sim, a minha vida. E sim, a nossa vida.
Quero andar para todo lado com você e eu de braço dado,
ir à farmácia, ao mercado e à padaria. Resgatar-te-ei toda
a pseudo dignidade. A tratarei qual uma duquesa e exigirei
de todos esses infames o respeito que lhe será devido, mesmo,
que para isso, tenha eu que usar da firmeza e até da vil aspereza.
E se algum "cão sarnento" te apontar e disser, ali vai aquela mulher
que andava fora do trilho, a essa criatura eu esbofetearei e com
altivez direi: Não! Essa é a mulher, que será a mãe do meu filho!
Antônio Poeta



Prova De Fogo
39

Eu, com essa doidice
de filosofar e poetar,
de em versos sempre me
expressar... Por vezes até
inventivo, eu possa te soar
ao falar de meu sentimento.
Mas te juro meu neném,
não lhe minto ou adulo,
de fato, estou a te amar,
e esse estonteante amor
não é coisa de momento.
Avante, não serão mais
com palavras ou através
de meus mancos escritos
que todo esse meu querer
eu irei te corroborar, e sim,
com ação e empreendimento.
Só te peço meu amor, que me
aguardes um pouco mais...
Faça de contas que iniciamos
hoje, te garanto meu dengo,
que não se frustrarás.
Sinceramente, fica fácil,
você se afadigando de obrar,
se afligindo e até provendo
a nós dois, e eu na “sombra"
filosofando e versejando,
passivamente esperado
a minha vida melhorar.
Não mais precisarás falar:
Amor, não sei ainda,
onde termina o poeta
e começa o meu Antônio,
o homem que amo tanto.
Vou provar a você minha fada
encantada, o quanto sois amada,
e se para tal for preciso, faço uma
novena a “São Caco Antibes”
e cruzes... Até volto a trabalhar!
Antônio Poeta



Gosto De Você Ghost,
Mas, Se Manda!
40
Essa mulher já passou,
nossa história também,
por fim, tudo cessou.
Tantas vieram após ela,
mas, ninguém depois
dela, ficou... Se fixou.
Porque até hoje ela surge
e se ergue tão majestosa,
tão soberana, como se ainda
fosse a douta dona, de meu
constante sentir e pensar,
de meu volumoso gostar?
Vou chamar um sacerdote
e mandar te exorcizar.
Você não tem o direito
de seduzir minha alma,
de assim, me torturar.
Não lhe permito que
recatives meu íntimo,
se aposse de meu viver
e continues a caçoar
de meus sentimentos,
do meu jeito de gostar,
e, sobretudo, de ser.
Não aprendi a querer
diferente, para mim,
amor só convém e é bom,
se arrebentar com a gente,
mesmo, que impiamente,
ainda, que sofregamente.
Volta para o seu Céu
adorável fantasminha,
cessa de me assombrar.
Se liberta e me liberta,
não mais usurpe
meus íntimos sonhos,
pesadelos e devaneios,
continue aí, e me favoreça
com sua falta, aqui continuar!
Antônio Poeta



Traidor
41

Sinto-me um verme,
um serviçal do mal,
um traidor do bem,
um paria, um déspota,
um autêntico hipócrita,
em suma, um zé-ninguém,
que para amigo não serve.
Como pude permitir,
como consenti, pior,
participei, de ato
tão vulgar e ordinário?
Além de quase um irmão,
ele ainda, era louco por ela.
Sempre foi meu cúmplice,
amigo fraterno e camarada.
E para mim, foi só aventura,
ato genuinamente carnal,
sem nenhuma ternura...
De fato, foi quase nada!
Defronto-me agora, com o
maior de todos os dilemas:
Conto a ele que fomos infiéis,
e o salvo daquela serpente,
lhe quebrando os dois ídolos,
o do amigo e o da amada?
Suplico-lhe o perdão e o
atormento com essa tão
chula e tenaz revelação?
Enfim, desvendo os seus olhos
e mostro a ele, que tanto eu,
quanto ela, não valemos nada.
Ou aguardo um pouco à frente?
Quem sabe, ele não desperta,
e deixa de ser tão inocente,
percebendo que essa mulher,
não o ama e não presta?
Nesse caso, eu sairia ileso
de toda essa covardia; porcaria.
Meu Deus! Se eu assim proceder
estarei sendo mais indecente.
Vou lhe contar e minha parte assumir,
admitir que não o correspondi
... Por fim, que lhe traí
a fidúcia e o afeto, e aja ele
da melhor maneira que concluir...
Que até esbofeteie a minha face,
a nada eu posso ou vou reagir!
Antônio Poeta



Minha 1a. Vez
42
Na sombra das frondes das árvores, ocultos
de todos, com nossos jovens e belos corpos nus,
despojados sobre a relva daquele tão afresco chão,
e ao som magico da divina música do tombo da cachoeira,
compondo o barulho das águas corrediças em pleno borbulho,
que pareciam afagar as pedras e ninar; enlevar os nossos sentidos,
despertando e atuando a nossa infante, mas, já bem madurada libido,
adequando e refinando o amadorismo, que só sorviamos através das mãos.
Ali, eu lhe possuí e a fiz mulher. Ali, eu me entreguei e fui feito homem por você.
Nós juntinhos, nos desvendamos e imputamos o cessar, de nosso vivo adolescer.
Aquela excursão, até então, fora a maior de todas "aventuras" já avivadas por mim.
Nos amamos por alguns anos, até que naquele dia (cônscios?), nós deflagramos o fim.
Antônio Poeta



Zé, O Cara!!!
43
Mula, Capela, Espanhol...
Não adiantava, pois apelido
nele, jamais pegava: Ele não
dava confiança; não empilhava.
Minhas filhas e todas as crianças
lá da rua, cresceram brindadas
pelas brincadeiras e palhaçadas
do Tio Zé, que não se poupava,
se o tema era alegrar a criançada.
O ser mais antagônico que conheci:
Algumas vezes, brabo como um pitbull,
n‘outras, doce e afável como um cordeiro.
Raramente, via-se o Zé triste ou reclamante,
esse meu parceiro foi sempre mui-hilariante,
idealista, obstinado e incansável obreiro.
Sabe aquelas pessoas que não se acomodam,
que estão sempre com algo a empreender?
Adorava os animais e até costumava dizer,
não sei se brincando ou não, que eles eram
bem melhores e sensíveis do que gente,
pois mesmo quando nos faziam alguma mal,
se moviam por instinto.... De modo inocente.
As vezes um tanto preconceituoso e até odioso
para alguns, e num momento seguinte, lírico,
lúdico e, pasmem: Até conciliador e caricioso.
Pois é, assim, era o meu amigo Zé.
E foi assim, até o dia do seu fim!
E agora José?
Antônio Poeta



Auto-Preço
44
O custo, que nós poetas
e filósofos pagamos,
por desistirmos de tudo
nos aclamando interpretes
e concertadores do mundo,
não raramente nos arrebata
ao fundo, ao sórdido submundo
de nós mesmos, enquanto gente.
Seria a Poesia e a Filosofia artes
menores; de segunda categoria?
Se não, porque então as outras
culturas são vendáveis e mantêm
materialmente os seus artífices
autores e essas duas bostinhas não?
Ou por serem muito antigos, os ofícios
do versejar a vida e do pensar producente,
acabaram por se acabar... Por se banalizar?
Se sim, como ficará nossa cabeça e coração?
Por fim, o que será de nossa razão e emoção?
Implicito, que estou no tempo errado,
o certo seria estar a 400 a.c. na antiga
Atenas... Mas, não estou, ou quem sabe
até estive. O que fazer pra me atualizar?
Bastaria tão somente me desnaturar?
Porque esses fantasmas gritam tão alto
dentro de mim? Porque não me dão paz
e me permitem voltar a ser “normal”?
Será que vou eternamente me ocupar
apenas de esclarecer e encantar, e
continuar a me culpar por nada
ser, ou seja, por nada ganhar?
É sofrível, nos percebermos
estacionados socialmente,
numa sociedade onde todos
avançam e se esmeram
em relacionar felicidade
com o consumo material.
Qual seria o espaço para nós
que contemplamos o sumo...
O venturoso espiritual?
Só me dedico... só me fadigo!
Sinceramente, já não sei mais
se essa porra é dom ou castigo!
... Deus meu! Quanta bobagem!
Eu quero é viver em paz:
Mil vezes Vinícius de Moraes,
do que Hermínio de Moraes!
Antônio Poeta



Poetas
São Bisonhos
45
Não há poeta que não singra
no mar revolto da tola ilusão.
Não há poeta que não sangre
envolto e absorto por uma paixão.
O poeta, é um doente desassossegado.
Ser poeta é ser, um ser sempre apenado.
Se alguém souber me conte, me ensine,
quero breve aprender a não mais poetar.
Quero ser livre de novo,
me libertar dessa sina-arte
que só me abate e faz chorar!
Antônio Poeta



Olha Eu Aqui!!!
46
Tem horas que me vem um vazio
tão imenso, tão intenso, que penso,
fosse melhor invadir a ele
e de lá, nunca mais evadir.
Quiçá perder a consciência,
nem seja tão ruim assim?
Faz-me sofrer a constatação
de ser um incompreendido;
o contumaz conflito entre me sentir
muito bom no que faço, no que sou,
e o não reconhecimento daqueles
que me julgam um “Ninguém”.
Em outras horas eu penso
estar ficando invisível e inaudível,
pois as pessoas, mesmo as mais
próximas e queridas, parecem
não divisarem nexo em mim.
Acho que vou parar de me banhar,
de me vestir e de me calçar...
Quem sabe assim, não me notem,
não me conotem algum valor...
Mesmo o mais diminuto que for.
Nada me dói mais que a indiferença,
que a ausência da bem querência.
Eu me recuso a ser tão somente
carne e osso, enfim, só aparência.
Me percebam como essência,
ou muito logo vão me perder,
pois concebo que estou fatigado
e bastante prestes... A fenecer!
Antônio Poeta



Mágoa
47

Uma mágoa: Minhas filhas
não me lêem, não me divulgam,
parecem até se envergonharem
do meu poetar e filosofar...
Do meu todo, como escritor!
Há anos sofro em secreto
por tal falta de crença
em mim... Em minha valia!
Não mais escreverei uma linha,
não mais comporei um só verso.
O que já está pronto ficará,
entretanto, me recuso
a novos textos originar.
Um dia, quem sabe, elas venham
a me sentir; me compreender,
mas, e se eu não estiver mais
por aqui, como vai ser?
Com certeza, elas irão sofrer,
e eu não quero que elas
sofram nem mesmo por isso.
Porque santo de casa não faz milagres
e espeto de ferreiro é de pau?
Bato em retirada com minhas
Letrinhas... Fui... Tchau!
...
Mentira! Sou um mentiroso!
Claro, que continuarei a poetar,
não vivo mais sem essa “cachaça”.
Poesia vicia... È só começar!
Antônio Poeta



Avante
48
Luto, tenho fé e esperança, pois eu, e os meus,
temos saúde, união e amor de verdade.
Nada poderá furtar o meu sossego,
nem mesmo a indignidade
do vil desemprego,
irá me apagar.
Persevero e vislumbro,
que logo a paz e a bonança,
alcançarão a me contemplar.
Minha vida andava triste,
combalida e sem perspectiva,
e em verdade, o que me segurava
eram a minha arte e as minhas filhas.
Seguravam mas não animavam, somente me sustentavam.
Agora, estou disposto e aguerrido, forte, reerguido e atuante,
e devo tudo isso a você, minha mega-meiga-amiga-musa-amante.
Não há mais nuvens tempestuosas,
intempestuoso, só o meu querer,
que me impulsiona e condiciona,
a ultrapassar as dificuldades
e em nome do nosso querer:
"Matar um mamute por dia"
e ir para luta e vencer!!!
Antônio Poeta



Jeito De Amar
49
Em matéria de amor,
amo como um medieval,
sou um amante galante,
mesmo que provincial.
Primo por ser gentil,
carinhoso e afetuoso.
Assumo quem está comigo,
contra tudo e contra todos.
Ser leal, atencioso e generoso
é a minha marca, o meu perfil.
A cumplicidade é a minha bandeira,
e a fidelidade o meu douto lema,
a felicidade o tema, que me impulsiona
a sentir e viver a relação do momento
como a mais pura e verdadeira,
sem subterfúgios ou receio
do possível fenecimento.
O que fazer? Sou assim!
E gostando de assim ser,
o serei assim até o fim.
Perdendo ou vencendo,
serei sim, sempre assim!
Antônio Poeta



De Meu Íntimo
50

Eu quero é ser feliz!
É amar e ser amado,
encantar e ser encantado.
Dar sossego e ser sossegado,
ninar e amenamente ser ninado.
É isso, o que eu sempre quis!
Será, que por tão intimamente
almejar toda essa quietude;
toda essa paz consciencial,
acabo por me distanciar dela,
definitiva e irremediavelmente,
como o bem se aparta do mal?
Ou talvez, quem sabe, esse meu
tempo, ainda está por chegar
e esse alguém ainda surgirá,
me resgatando da inaptidão,
me transbordando de emoção,
me propulsando a pulsar além,
esse acabrunhado coração?
Não me importa somente
me apaixonar, ou meramente,
fazer alguém se apaixonar.
Quero é sentir o meu eu
hiper-ultra tomado,
como se torpedeado:
enfim, ficar abobalhado,
de tanto amar e ser amado!
Antônio Poeta



Titio
(51)
Jacy era o cara.
Meu ídolo e protetor.
Alma replena de carinho,
Homem movido pelo amor!

Sempre desejava
de mim para comigo:
Quando crescer, eu quero ser
igualzinho a esse meu tio-amigo.

Tio Jacy era extremamente
ardente e dedicado aos seus...
Era uma dessas figurinhas, que
pareciam carimbadas por Deus!

Não o proseio só porque morreu,
pois era poeta em essência,
só que jamais escreveu:
Titio, você era eu???
Antônio Poeta




Premonição?
52
Mais uma vez me surpreendo
pensando em meu fim...
Findando eu em irremediável
e tenaz alienação mental.
Nada me seria mais sofrível!
Será que já não estou louco?
Será que já não estou morto?
Eu, que tanto pensei, repensei,
e com constância insisti em acertar,
acabar agindo instintivamente,
sem mais nada concatenar.
Não se divorcie de mim, razão.
E você, terna emoção,
também irá me deixar?
Se alguém me perguntar hoje
o que eu gostaria de ser,
sem titubear responderia:
Um "Xiita", um "kamikaze",
ou talvez um canibal, melhor,
um "autocanibal", e assim,
em definitivo me devorar.
Hoje estou mal,
mas não no sentido
de fazer ou desejar o mal.
Estou mal em meu íntimo,
enfim, estou muito triste por mim.
Essa zanga é antiga,
desde os tempos de infância
e de quando em quando
ela ressurge do nada, do tudo,
e aí, me torna pequeno,
ínfimo, quase nulo.
Não é desânimo ou depressão,
é algo que transcende a explicação.
Parece-me ser uma falha temporária
de minha débil evolução.
É difícil falar sobre isso,
mas não consigo me ocultar.
Como já disse, é desde menino
essa coisa a me atormentar.
Não temo nem um pouco
esse horrendo monstro,
e sempre contra ele irei lutar!
Sei que não adianta pedir;
se for essa a minha sina,
a terei de cumprir.
Mas, por que saber dela
com tal antecipação?
Seria dupla punição?
Será que vai acontecer,
será que vai demorar,
será que vou sofrer,
será que vou fazer sofrer?
Será...???
Antônio Poeta


Eu, Visto Por Mim
53
Adoro uma celeuma,
sou adepto do contradito.
O meu negócio é agitar,
fazer oposição, formar opinião,
sempre tentar equilibrar.
Lutar contra o desrespeito
e combater o arbítrio,
esse foi o destino
escolhido por mim,
dele não me aparto,
pois assim, sou eu de fato!
Sempre pronto e disposto
a gritar e espernear,
defendendo minhas convicções
sem quaisquer receio das reações,
que sempre acabo por provocar.
Se me acomodo, morrerei.
Se não agir, enlouquecerei.
Já fui coveiro, fiz luta livre
para ganhar algum dinheiro.
Fui segurança do submundo
da máfia da contravenção.
Já fui guerrilheiro urbano,
operário e líder sindical,
chefe de disciplina de presídio,
funcionário público, comerciante...
Mas tudo, tudo o que fiz,
tem a marca assinalada
do labor abundante,
do amor incessante
e incondicional.
Hoje, mais velho,
menos aventureiro
e bem mais cansado,
penso-me pensador,
vejo-me poetando,
relatando e versejando
todo o meu teor e,
olhando-me por inteiro,
sem nenhum “narcisismo”
percebo-me... Um vencedor!
Antônio Poeta